11 de junho de 2009

(Mais) Saudades

Saudades do Verão e da praia. Mais ainda, saudades das férias do tempo de escola, que começavam cedo e quando acabavam tinham sido tão bem aproveitadas que já queríamos voltar à escola e rever os amigos. Agora estamos fechados num escritório a olhar lá para fora pela janela, quando há uma, enquanto sonhamos com uma esplanada, cerveja e tremoços, à beira mar com os tais amigos que, nesse preciso momento, estão provavelmente na mesma situação, e a pensar o mesmo.


Saudades de não ter de contar os dias de férias como quem conta os tostões para comprar aquele berlinde ou um pacote de pastilhas. Saudades de estar fora da rotina que todos os dias se repete, e que nem um fim de semana consegue atenuar. Saudades de poder acordar de manhã e fazer planos para esse dia, e acabar o dia e saber que todos saíram furados mas as horas foram bem passadas, e amanhã ter-se-á à mesma oportunidade, mais uma vez. Saudades dos tempos em que as responsabilidades eram poucas e não tinhamos de ser adultos só porque o mundo assim o exige, em que não tinhamos horas para deitar, apesar de haver aulas de manhã. Saudades de poder arriscar um pouco a ficar dormente o dia inteiro, sem prejudicar com isso o meu trabalho.


E agora, enquanto olho lá para fora, vejo a cidade mexer, e eu aqui, fechada, a vê-la palpitar, sonhando com a esplanada à beira mar, ali tão perto, do outro lado do bairro.

24 de março de 2009

Estados

Hoje estou estranhamente calma. Normalmente acordo já com um estado de espírito minimamente agitado, seja por ansiedade, alguma raiva contida, ou tristeza. Hoje, por alguma razão, estou calma como não me encontrava há muito, muito tempo. Não estou alegre nem triste, serena talvez. Mas, por outro lado, sinto-me ligeiramente fechada, dormente, como se o dia não tivesse ainda começado e os olhos estivessem apenas vislumbrando mundos irreais, imitando a vida do dia-a-dia. Portanto, não sei se estou calma ou agitada, em guerra ou em paz. Não sei como estou. Mas estou assim... e não me importo de estar, desde que possa aproveitar as horas, os minutos e os segundos, e os sorrisos e as gargalhadas, e quiçá as lágrimas que o dia possa ainda trazer.

2 de março de 2009

Anti-dedicatória

Tanta bala perdida...

2 de fevereiro de 2009

Ai Inverno, Inverno...

Tenho frio. Pior, estou farta de ter frio. Não recordo um Inverno tão rigoroso, tão difícil de suportar sem várias camadas de tecido sintético que a pele tão pouco aprecia. Este ano está a ser especialmente complicado. As luvas andam sempre nas mãos ou nos bolsos, normalmente em ambos. As botas, por mais quentes que sejam, não impedem os pés de semi-congelar. E as camisolas, por muitas que se empilhem umas sobre as outras, parecem ansiar por um casaco que lhes dê melhor suporte. Chego a casa e a situação não melhora. Há quem esteja pior, com água escorrendo pelas paredes, mas mesmo assim não consigo ficar feliz com os vendavais que se geram entre as frestas das janelas e o fundo das portas e a ligeira humidade que por vezes se sente no ar. Sabe sempre bem estar esticada no sofá com uma manta por cima, mas incomoda quando isso passa a ser uma necessidade diária. O vento lá fora é tal que a brisa cá dentro provoca otites. E ao fim de semana lá saímos de casa, procurando um poiso mais quente.


Estou a exagerar um pouco. Aqui onde estou a situação é bastante pior. Entre a infiltração de água do andar de cima e as vidraças que não isolam o pouco calor que o sol vai deitando cá para dentro, o frio é tal que só não visto o casaco porque preciso de alguma mobilidade para conseguir escrever. A vontade é trazer o sofá, a manta e as pantufas. E já agora o aquecedor e uma chávena de chocolate quente. Quase gostaria de ficar doente para ficar quentinha na cama. Mas como preferia conseguir aproveitar esse privilégio, logo mudo de ideias.


Definitivamente... o Inverno faz mal à saúde. Já vinha a Primavera!