Tenho frio. Pior, estou farta de ter frio. Não recordo um Inverno tão rigoroso, tão difícil de suportar sem várias camadas de tecido sintético que a pele tão pouco aprecia. Este ano está a ser especialmente complicado. As luvas andam sempre nas mãos ou nos bolsos, normalmente em ambos. As botas, por mais quentes que sejam, não impedem os pés de semi-congelar. E as camisolas, por muitas que se empilhem umas sobre as outras, parecem ansiar por um casaco que lhes dê melhor suporte. Chego a casa e a situação não melhora. Há quem esteja pior, com água escorrendo pelas paredes, mas mesmo assim não consigo ficar feliz com os vendavais que se geram entre as frestas das janelas e o fundo das portas e a ligeira humidade que por vezes se sente no ar. Sabe sempre bem estar esticada no sofá com uma manta por cima, mas incomoda quando isso passa a ser uma necessidade diária. O vento lá fora é tal que a brisa cá dentro provoca otites. E ao fim de semana lá saímos de casa, procurando um poiso mais quente.
Estou a exagerar um pouco. Aqui onde estou a situação é bastante pior. Entre a infiltração de água do andar de cima e as vidraças que não isolam o pouco calor que o sol vai deitando cá para dentro, o frio é tal que só não visto o casaco porque preciso de alguma mobilidade para conseguir escrever. A vontade é trazer o sofá, a manta e as pantufas. E já agora o aquecedor e uma chávena de chocolate quente. Quase gostaria de ficar doente para ficar quentinha na cama. Mas como preferia conseguir aproveitar esse privilégio, logo mudo de ideias.
Definitivamente... o Inverno faz mal à saúde. Já vinha a Primavera!
2 de fevereiro de 2009
Ai Inverno, Inverno...
9 de dezembro de 2008
27 de novembro de 2008
Quem tem telhados de vidro...
Acho sempre engraçadas aquelas pessoas que criticam toda a gente e se dão ao luxo de mandar comentários para o ar sempre que têm uma oportunidade, e quando sabem que nenhum dos presentes as vai criticar. São pessoas que, ao contrário daquelas, igualmente irritantes, que não conseguem ver além do seu umbigo, só olham para os outros, e nunca para elas mesmas. O reflexo no espelho é meramente uma imagem, não há nada para ver além disso. Essas pessoas normalmente acham-se perfeitas: lindas, esbeltas, inteligentes, donas da verdade e da moralidade. Infelizmente, a inteligência é algo que normalmente lhes falha, e se assim não fosse talvez lhes passasse a miopia crónica e vislumbrassem que nem tudo o resto (se é que alguma parte) é verdade.
Para ajudar a este pacote promocional, nada pior do que uma pessoa dessas escolher como alvo outra que considera mais fraca (vulgo, uma que não se defenderá da mesma forma que ela provavelmente faria). A diferença é que o alvo pode ter um pouco mais de moral, ou inteligência para perceber que há coisas pelas quais não vale a pena desprezar o bom senso e partir para a violência que às vezes elas incitam. Mais ainda, o alvo pode já ter já uma arma apontada ao telhado de vidro do vizinho, e estar apenas à espera do momento certo, quando o público ideal estiver a passar, para poder arrumar o assunto de uma vez por todas.
Espero que não tenhamos de nos encontrar por lá. Sinceramente, preferia que não nos encontrassemos de todo.
P.S.: Já agora, na minha terra cumprimentamos as pessoas quando as vemos pela primeira vez nesse dia. Felizmente, é algo que ainda não entrou em desuso entre as pessoas educadas.
20 de novembro de 2008
O que me (des)motiva
Há pessoas de que não gostamos. Pessoas que nos tiram a boa disposição e nos impedem de encarar o dia com um sorriso nos lábios. Pessoas que complicam tudo aquilo que fazemos e nos invadem o pensamento com ideias que nos deixam instáveis e com vontade de destruir tudo em volta. Pessoas que, se pudessemos apagar da face da Terra, tudo seria, provavelmente melhor. E inventamos formas de as fazer desaparecer, como por magia, e por momentos conseguimos fingir que tudo ficaria perfeito e ninguém daria pela falta delas, ninguém ficaria a perder. Mas, quando finalmente os pés assentam na terra, apercebemo-nos que somos impotentes e que, tal como há coisas que não podemos evitar, há pessoas que estarão sempre ali a tornar-nos, por vezes, a vida num inferno, e nada podemos fazer quanto a isso.